Compatibilidade de Agrotóxicos com os Ácaros Predadores Neoseiulus californicus (McGregor) e Phytoseiulus macropilis (Banks) (Acari: Phytoseiidae)

Marcelo Poletti, Lúcio Collette, Celso Omoto

Resumo


Uma estratégia para o manejo do ácaro rajado, Tetranychus urticae Koch, é o uso do controle biológico aplicado mediante liberações de ácaros fitoseídeos (Acari: Phytoseiidae). No entanto, o emprego de agrotóxicos pode interferir na sobrevivência e reprodução desses inimigos naturais. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a compatibilidade de 21 agrotóxicos (acaricida-inseticidas, inseticidas e fungicidas) sobre imaturos e adultos dos ácaros predadores Neoseiulus californicus (McGregor) e Phytoseiulus macropilis (Banks). As concentrações utilizadas para cada produto foram definidas dentro do intervalo recomendado pelos fabricantes. A avaliação da mortalidade de imaturos e adultos foi efetuada 120 e 48 h após a pulverização, respectivamente. O impacto dos agrotóxicos no crescimento populacional foi avaliado mediante a taxa instantânea de crescimento (ri). Dentre os produtos testados, dois acaricidainseticidas (fenpropatrina e milbemectina), dois inseticidas (buprofezina e espinosade) e oito fungicidas (azoxistrobina, metiram+piraclostrobina, boscalida+cresoxim-metílico, tebuconazol, clorotalonil, imibenconazol, iprodiona, triforina) foram compatíveis à N. californicus, não afetando a sobrevivência de imaturos e adultos, além de não ter causado redução na ri. Por outro lado, seis fungicidas mostraram-se inócuos a P. macropilis (azoxistrobina, boscalida+cresoxim-metílico, tebuconazol, imibenconazol, iprodiona e triforina). Devido à tolerância de N. californicus a vários agrotóxicos, sugere-se que esse predador possa ser liberado em áreas comerciais onde o uso do controle químico é realizado comumente. Com relação a P. macropilis, uma estratégia que contribuiria com a sua preservação em áreas de produção comercial seria a seleção de linhagens resistentes aos agrotóxicos.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.14295/BA.v3.0.58

Sociedade Entomológica do Brasil